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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Citroën SM 1972 no Brasil, em detalhes!

Um dos maiores achados desse blog estava muito próximo a mim e eu não sabia. Demorei a acreditar quando eu vi essa obra de arte diante de meus olhos:



Bem, fica difícil até de começar, tamanha é a história que esse clássico carrega. Revolucionário e muito a frente do seu tempo, foi apresentado no Salão de Genebra no ano de 1970. Por que revolucionário? Não precisa nem entender muito do assunto prá chegar à conclusão de que suas linhas transpiram personalidade.

A traseira evidenciava a notável preocupação aerodinâmica: coeficiente aerodinâmico recorde prá um carro produzido em série


Além de ter herdado o desenho da carroceria, veio prá aprimorar o já revolucionário Citroën DS, lançado em 1955. A ideia era criar uma versão luxuosa e esportiva dele, daí veio o "SM" (Systeme Maserati). A suspensão era praticamente a mesma usada no DS, porém mais refinada, para eliminar seus pontos fracos; os freios também eram similares, apesar de o SM possuir disco nas quatro rodas; a tração dianteira foi mantida, bem como o sistema hidráulico central de alta pressão, que controla suspensão, freios, transmissão, faróis e direção.

Já era uma característica fundamental dos Citroën a suspensão hidropneumática e não era surpresa que ela equipasse também o SM. Estava sempre nivelada, em qualquer que fosse o terreno, transportando a carga que fosse. Eram três níveis de altura, conforme a situação exigisse. A suspensão baixava ao estacionar. Bastava girar a chave e, trinta segundos depois, lá estava a suspensão na sua posição normal.

Recorde de frenagem em todas as categorias em sua época, devido aos freios hidráulicos de canal duplo e discos inboard, de montagem interna. Além disso, tornou-se o carro de tração dianteira mais rápido do mundo, chegando a atingir 235 Km/h em testes (220 Km/h declarados pela montadora).

Detalhe dos pedais

A transmissão era seu aspecto mais convencional. A maioria tinha caixa manual de 5 marchas, com embreagem comum. Mais tarde, foi disponibilizada uma caixa automática de 3 marchas Borg-Warner. (Nessa versão, sua potência aumentava em mais de 15 cv e sua cilindrada passava a 3.0 L).

Câmbio manual de 5 velocidades; botões de acionamento dos vidros elétricos

Era um carro tecnologicamente impressionante, prá sua época. Foi o primeiro automóvel do mundo a ter direção hidráulica com assistência variável, que ficou conhecido como "VariPower" ou "SpeedFeel". Esse sistema era tão complexo que bastava o volante dar apenas uma volta prá ir de um batente a outro. Além disso, contava com o mecanismo de autocentralização: se girar o volante com o motor ligado, a direção retorna sozinha prá posição central. Com o motor desligado, era impossível virá-lo. Um novo sistema, variável conforme a velocidade, reduz a assistência em velocidades altas.

Os faróis, também controlados pelo mesmo sistema hidráulico, ainda hoje são novidade. Por trás de uma espécie de lente protetora, estão seis refletores. O par de quadrados menores, que fica nas extremidades internas, acompanha o movimento do volante (o que até hoje é novidade nos comerciais dos C4!). Reparem que a placa é afixada também dentro dessa "bolha". Como o mesmo sistema controla também a suspensão, a altura do facho de luz era regulada automaticamente de acordo com o peso na traseira. 



Adesivo remete a seu país de origem: a França

Reparem nos seis faróis e na grade, posicionada abaixo do parachoque



Detalhe do recorte que proporciona ventilação: logo Citroën, motor Maserati

O interior segue o estilo externo, lindo. Volante de um raio só com ajustes de altura e profundidade. O painel de instrumentos por trás dele conta com velocímetro, conta-giros, termômetro de água, amperímetro, nível do tanque e relógio. Havia ainda um sistema de verificação e controle, que alertava sobre o nível dos fluidos, lâmpadas queimadas e pastilhas de freio gastas. De série, vidros elétricos, ar condicionado e rádio. No banco traseiro, apoio central de braço.

O volante de um raio só e o moderno painel

Fácil visibilidade do painel de instrumentos: um dos benefícios propostos pelo desenho do volante, de um só raio



Detalhe do banco traseiro, com cintos de três pontos e apoio central para braço

Ufa! Depois desse papo todo sobre a impressionante aparência estética...

Seu motor foi desenvolvido em parceria mítica com a Maserati, era um V6 derivado de um V8 da marca italiana, de pouco mais de 2.6 L, que produzem 172 cv com três carburadores Weber de corpo duplo. O propulsor Maserati V8 teve de "perder" dois de seus cilindros porque deveria ficar pronto em somente seis meses e precisava ser extremamente compacto e leve e não poderia ter cilindrada superior a 2.8 L. Esse era o limite imposto pela tributação francesa que tornaria o carro caro demais, mesmo para um modelo de luxo.


Reparem nas "bolas verdes": as importantíssimas esferas hidropneumáticas

Detalhe do logo Maserati

No âmbito cinematográfico, já participou de um sequestro do personagem de Ben Stiller no filme "Zoolander" (2001) e de Charles Bronson em "Breakout" (1975). Teve participação no clipe "I get lonely", de Janet Jackson. Na "vida real", já teve proprietários como o jogador holandês Johann Cruyff, o ator Lee Majors e o escritor inglês Graham Greene. Idi Amin, presidente de Uganda entre 1971 e 1979, possuía nada mais que sete! Prá finalizar, o comediante Jay Leno ainda hoje possui em sua coleção um SM 1972.

Foram produzidas, ao todo, 12.920 unidades, das quais 2.492 destinadas à exportação prás Américas, todas elas especificamente para o mercado norte-americano. Só que essas tiveram seu desenho um pouco alterado, tirando parte do seu charme e elegância. Não contavam com seus seis faróis, por exemplo, pois eram contra a lei nos Estados Unidos.

A respeito do exemplar flagrado, como se já não bastasse tudo isso, pouquíssimas unidades (estima-se apenas 10) vieram ao Brasil. Dessas, um número ainda menor tem o paradeiro conhecido. Até onde se sabe, há registros de 3 (três) no Brasil: dois no Rio de Janeiro e um em São Paulo. Certa vez, postei no blog um flagra em um evento em Niterói - RJ, de um SM 1972, também. Apesar da placa também ser de Niterói, não são o mesmo carro. Na foto não dá prá ver legal, mas o outro é prata. Esse, dourado. Portanto, é bem capaz que sejam os dois únicos no estado do Rio! E olha que eu disse no outro post "Sinceramente, nunca me deparei com um desse na rua"! Agora eu sei o porquê, e estou satisfeito por nunca mais poder dizer isso! :)

Ilha do Governador, Rio de Janeiro - RJ.

28 comentários:

  1. Wow !!!

    Uma grandiosa raridade!!!
    Parabens pelo achado!

    Abs
    Kiko Molinari - Carros Raros BR

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  2. Cara eu me impressono como tem carro raro aqui na ilha do governador, e parabéns pela matéria está muito completa e realmente é um achado!!

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  3. Matheus, você acreditaria se eu disser que este SM pertence ao mesmo proprietário do SM prata do outro post? Pois é...

    Ele possui também um DS e um AMI 6, além de outras raridades que não são Citroen...

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  4. Verdade, Grigo! Nem me liguei no teu comentário do outro post, tinha até esquecido! Valeu por agregar novamente! Show, cara!

    Abração!

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  5. Peças pra essa jóia não deve achar nem na França!

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  6. Mais um de Niterói! Terra dos carros raros!

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  7. nóssa, absurdo... um carro de 40 anos mais completo, potente e inovador que muitos novos veículos de 70, 80 mil reais...

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  8. E eu me sentindo um cara de sorte por ter visto um mazda 929 e um passat com kit de audi quattro hoje! kkkkkkk

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  9. Não pude fotografar eles porque a camera do meu celular ta ruim alem do onibus passar muito rapido por ele...
    O audiquattro-passat estava na frente da ambev ali no km 32 de nova iguaçú
    Já o mazda 929 vi logo depois chegando em santa cruz, bairro da cidade do rio de janeiro, estava numa oficina de escapamentos, aparentemente muito bem conservado com a pintura tinindo e umas rodas bem legais.
    No dia seguinte o vi num sinal de transito rapidamente.
    o dono desse carro deve ser aqui do bairro, um dia ainda vejo esse carro estacionado e tiro algumas fotos!
    Mas fica a dica pra quem quer tirar foto de alguns mazdas, há uma oficina especializada aqui no rio de janeiro, no bairro do rio comprido. O nome da oficina é zune. Pra quem mora perto é uma oportunidade de quem sabe ver alguma raridade.

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  10. Olá Matheus, excelente achado, tenho esta foto (do tempo das câmeras de filme, deste exemplar o qual pertenceu a um saudoso amigo do meu pai e que tive o privilégio de dirigir em Curitiba em 1997.
    Maravilhoso! Abraços.
    http://imageshack.us/photo/my-images/705/41941660.jpg/

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  11. Realmente esse é um carro impressionantemente belo e tecnológico para o ano de 1972.
    Mas a necessidade de "ver para onde está virando" já é coisa antiga.
    Foi primeiramente explorada no Tucker Torpedo de 1948 (assim como cintos e vidros de segurança) que as montadoras estabelecidas na época nem queriam saber sobre isso.
    Em seguida, depois de sumariamente puxarem o tapete do Tucker, ele foi convidado por um enviado de Getúlio Vargas para fazer carros no Brasil. Desta forma um dos primeiros carros genuinamente brasileiros foi feito, o Carioca, que também tinha "três olhos" assim como o "irmão" Torpedo.
    Com o tempo os cintos, vidros de segurança e outros foram ficando obrigatórios conforme escorria sangue das mãos desses que puxaram o tapete dele. O negócio dos faróis parece que não foi tão urgente quanto o resto.
    Também tem outras abordagens da década de 80 como colocar um farol mais fraco na lateral (usada em vários carros norte americanos como o New Yorker).
    Hoje a principal dificuldade encontrada em 1948 é muito fácil de lidar. Basta colocar um motorzinho numa lente direcional que acompanha a barra de direção. Naquele tempo era mecânico, por isso o Tucker (Tornardo e Carioca) tem três faróis.

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  12. Eriton Muciacito (via facebook)25 de outubro de 2011 02:19

    Quanta tecnologia para um carro da década de 70, até hoje impressiona!

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  13. Míriam Ferreira (via facebook)25 de outubro de 2011 02:20

    TDB, até hoje!!!

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  14. Mara Ache (via facebook)25 de outubro de 2011 02:20

    Eta Carrao.

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  15. Daniela Pizani (via facebook)25 de outubro de 2011 02:20

    Meu sonho de consumo ...

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  16. Luis Henrique (via facebook)25 de outubro de 2011 02:21

    amo tambem meu sonho de consumo viu hehe

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  17. Eliane Santos Americo (via facebook)25 de outubro de 2011 02:21

    meu tb

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  18. Pedro Giovanni Patiño (via facebook)25 de outubro de 2011 02:22

    wow =O awesome xD brasil 3

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  19. Giovane Celico Paes (via facebook)25 de outubro de 2011 02:22

    Primordio do Xantia ....

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  20. Rafael Leao (via facebook)25 de outubro de 2011 02:23

    creative technologie

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  21. Anderson Nunes (via facebook)25 de outubro de 2011 02:24

    Sensacional!

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  22. William Hohl Mendes (via orkut)2 de dezembro de 2011 15:28

    nunca tinha visto esse modelo
    mto bom

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  23. Claudio Barbano (via orkut)2 de dezembro de 2011 15:29

    Esse eu não havia visto é mais feio que Citroen DS; Citroen em meados de 70 já era pioneira com suspensão hidropneumática.

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  24. Será que este carro saiu daqui: http://antigosverdeamarelo.blogspot.com.br/2012/03/concessionaria-citroen-vemag.html ?
    Será que o dono deste DS não possui alguma informação para acrescentar sobre a história dos Citroen no Brasil?

    Abraço,

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  25. Esse blog também é cultura! Caramba, aprendí um monte de coisa à respeito desses Citroens. Sempre gostei dessa marca, mas o 1948 é o meu XODÓ!

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  26. Muito Bom Matheus! Realmente foi uma pena a Citroën ter sido comprada pela Peugeot bem nessa época e os novos donos, muito conservadores, mandarem parar a produção, inclusive destruindo algumas carrocerias que não haviam sido montadas...
    Isso contribuiu para aumentar o interesse no carro.
    eu tenho Uma miniatura Matchbox da época. Depois eu posto uma foto...

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  27. A postagem sumiu do Facebook!
    Bem, aqui as fotos da miniatura:
    http://farm6.staticflickr.com/5444/9627146449_cee45257cb_c.jpg
    http://farm6.staticflickr.com/5448/9627151355_8ddd7d5c6d_h.jpg
    http://farm3.staticflickr.com/2859/9631388528_fb02c69099_h.jpg
    Eu ganhei na época que ele era fabricado.

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